sexta-feira, 31 de outubro de 2008

As cidades do futuro

Nossas cidades não representam nem palidamente o modelo daquilo que seja o urbanismo ou a vida em comunidade no mundo da atualidade. Engana-se quem pensa que as nossas casas fortificadas sejamo uma tendência dominante em outros países. Não são, elas representam e espelham o quadro de descaso com que é tratada a segurança pública nesse país. Depois da chamada "constituição cidadã de 1988", a cidadania desapareceu.

E desapareceu diante do enfraquecimento do aparato policial e do fortalecimento dos direitos e garantias aos marginais. Igualmente sumiu todo o policiamento preventivo, hoje não se encontram mais viaturas e policiais executando o policiamento, aquilo que chamamos de ronda. Sem a presença da autoridade, o que inibiria o cometimento de vários crimes, resta aos moradores aumentarem a segurança das moradias.

O que se vê hoje em dia são verdadeiras casas forticadas, com a utilização de grades, muros, portões, câmeras de segurança, cercas eletrificadas, cães de guarda, alarmes e, para quando tudo isso falhar, a contratação de um bom seguro e muita oração ao anjo da guarda e ao santo da devoção. E não existe outro remédio.

O impressionante é constatar a rapidez com que a segurança na cidade se deteriorou. Ainda lembro da época em que mudei para a casa onde me encontro até os dias de hoje, foi em 1982. Na época, acreditem, não haviam sequer muros separando os lotes. E todos podiam tranquilamente permanecer em suas casas, ir e vir em total segurança. E hoje?