segunda-feira, 25 de junho de 2007

Carência

Ela me considera propriedade sua. Não diz muito, mas age como dona. Tem a propriedade do todo, do geral, mas descuida do particular, das partes que integram o todo. O que sou eu? Uma massa disforme, um todo sem individualidade que forma um um qualquer? Ou serei um conjunto de pequenas partes, peculiares, próprias, que me dão personalidade (formam a persona)?

Soa mais ou menos assim: esse monte aí é meu!

E meus olhos não vêem outros olhos a brilhar; minha pele não sente o contato, o carinho do teu toque; teus lábios não visitam os meus; eu preciso tanto do teu abraço! De uma demonstração de afeto, de calor, que me faça sentir que sou gente.

Ou então libere minhas asas e me deixe voar...

sábado, 23 de junho de 2007

Ilustre chegado

O frio chegou, desembarcou de mala, cuia e um pesado poncho de lã nessa terra. Não que se esperasse outra coisa, mas é que atualmente inverno só na forma de amostra grátis: curto e insuficiente. Talvez seja uma forma de lembrar do outro lado da besta, do aquecimento global. Agora eu entendo quando diziam que iríamos terminar todos no inferno.

Se a globalização do bem nunca chegou, a do mal anda a galope. Nós só pagamos o preço do progresso. Nenhum bônus, só o ônus. Por falar em ônus do progresso, a chefia entendeu que bobagem é exclusividade sua, e logo proibiu os subordinados de proferirem pérolas e afins.

Olho para o relógio do notebook, horário de avião: 7:47. Muito cedo para qualquer coisa, muito tarde para outras tantas, mas isso é caso que não se mede em horas.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

A cidade e eu - Parte II

Eu falava de ficar carrancudo com a idade. Talvez a afirmação esteja incorreta, talvez a carranca não seja uma questão de que vem com a idade, mas de gênio, de personalidade. Assim, ninguém ficaria carrancudo, mas nasceria assim. e pronto. Ponto. Talvez me falte suficiente autocrítica para assumir a minha carranca.

Se sou um carrancudo, devo acrescentar teimosia a essa característica, ou covardia, porque nego, e nego peremptoriamente que eu seja, ou melhor, que me reconheça como alguém que sempre tenha sido um carrancudo. Culpo a vida que me transformou em um. Boa técnica, o jeito é culpar alguém, alguém qualquer um que transfira a responsabilidade. Nesse caso, a vida.

Não nasci um bebe carrancudo, como qualquer bebe eu também ri por qualquer e sem ter motivo, como é próprio dos bebes, da irresponsabilidade pueril dos bebes. Por que só eu seria diferente do resto? Eu fui mais um, assim como todos, comum, banal, nada especial, nem diferente, um bebe sorridente e contente.

Hoje sou um adulto, maduro, carrancudo, ou deveria dizer sizudo? Palavra mais leve para dizer a mesma coisa, isso, prefiro ser um senhor de idade sizudo. E moro nessa que todos reconhecem como "Cidade Sorriso". Desculpe-me a cidade, não a vejo contente, sorridente, Porto Alegre não é mais nem menos alegre do que a média restante das cidades. É comum, uma cidade apenas. Com um codinome que não lhe faz justiça. Segue.