quarta-feira, 30 de maio de 2007

A cidade e eu

Formamos uma dupla estranha: a cidade sorriso e o ser carrancudo. Comparação infeliz. Nossa relação é do conteúdo e um contido, embora alguns admitam que se possa amar uma cidade. Uma cidade não sente, espelha os sentires dos seus habitantes. Sendo assim, a cidade sorriso está menos sorriso hoje, deve estar absorvendo um pouco da minha carranca.

Ninguém quer definir-se como um ranheta, qualidade que muitos tem e poucos assumem. Não vejo grande vantagem nessa minha franqueza, melhor vender uma imagem melhor num mundo que vive menos de conteúdos e mais de imagens, de invólucros, de embalagens, de rótulos. Está bem: eu sou o rei da simpatia, cara alegre e sempre feliz - agora ficou pior.

Todo bebe chora de fome, de sede, por que está sujo, porque está com sono, porque está com frio, causas fisícas. E sorri sem ter motivos, sorri por puro instinto. A gente cresce - esperem um minutinho, vou até o banheiro peidar e já volto! Pronto, gases liberados, estranho isso, a gente faz as maiores barbaridades com a mulher e não é capaz de peidar em presença de, ante...

Esse meu intervalo para a flatulência acabou com a minha linha de raciocínio. Quem manda ser peidão! Ah, está! Os bebes e os sorrisos sem motivos, a gente cresce e passa a só sorrir com motivo, e precisa cada vez mais de um grande motivo para sorrir. Por isso que eu acho que quanto mais velho, mais carrancudo. Segue.

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